Marina vestiu seu capuz branco e voltou a montar em seu
cavalo, partindo em direção ao lago de Begleiter. Seus olhos estreitos
pelejavam contra as fortes correntes de vento e os feixes de sol há muito
esquecidos pelo tardar do inverno. O imenso lago foi batizado com o nome de sua
ancestral Begleiter, mulher de Afor, primeiro senhor de Agravian, na época da guerra
por Aurum. Benevere, a égua branca de Marina corria incansavelmente pelo imenso
campo gelado, sem se importar com o forte ar gelado que preenchia seus pulmões.
Ao contornar o abissal lago a princesa deparou-se com a parte leste da floresta
de Agravian, jamais explorada por ela. Benevere relinchou alarmada e parou
instantaneamente, olhando acobardada a densa floresta negra, mas continuou pela
trilha de pedras assim que ordenada por sua dona. A floresta infinda fechava-se
mais a cada metro que se passava e Benevere já não podia mais galopar, sendo
obrigada a marchar lentamente entre o labirinto de árvores, tocos e arbustos
que cingiam o local. O entrelaçar das árvores impedia que o vento frio
adentrasse, porém, a floresta continuava húmida e escura. Um pequeno barranco
de terra molhada recém-marcado por cascos de cavalo foi avistado, ligando a
densa floresta a um pequeno portal erguido entre galhos e plantas trepadeiras que
refulgiam a luz do dia. Benevere relinchou alto ao voltar a galopar por campos
abertos, incessante em direção aos montes brancos ofuscados no horizonte
gélido. Marina agarrou-se a cela de sua égua e deixou que a própria se guiasse
por entre a fina camada de gelo derretido nos pastos dos campos de Agravian.
Finalmente as colinas se dissiparam no horizonte e logo ficaram para trás,
dando lugar a uma trilha quase imperceptível a um olhar pouco cuidadoso, que
seguia rumo ao topo de um patamar mais alto, na beira da cratera que delimitava
o fim do reino e o início do mar. Marina saltou de Benevere, amarrou seu
alforje de flechas à suas costas e armou seu longo arco de madeira branca
seguindo em direção as árvores no topo da pequena colina. As três árvores
principais estavam circundadas por amplas rochas abauladas que cercavam um
túmulo de pedra com a figura esculpida de uma mulher deitada sobre ele. Marina
abaixou-se lentamente para ler as palavras gravadas na pedra e olhou fixamente
ainda comovida para gravura da bela dama que se acamava sobre o túmulo.

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